Marketing LGBT+ : Abrace a diversidade

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Marketing LGBT+ : Abrace a diversidade

Os empreendedores brasileiros estão impactados com o seguinte fato: em 2018, o consumo de serviços e produtos voltados para o público LGBT+ movimentou em torno de 14 trilhões de reais, no mundo! Esse dado foi divulgado pela empresa britânica LGBT Capital, especialista em desenvolver estudos sobre diversidade, a qual pesquisou a realidade desse tipo de consumo em 31 países, incluindo o Brasil. É importante ressaltar, que quando se trata de consumo LGBT+, o Brasil é o oitavo maior consumidor, no ranking estudado, e se levarmos em consideração a extensão territorial do país, o potencial de crescimento é bem significativo.

 

O curioso é que muitas empresas, mesmo diante dessa informação estatística, têm posicionado sua marca de maneira contrária às demandas mercadológicas, uma vez que não sabem lidar de forma respeitosa, empática e coerente com o público LGBT+. A partir de uma análise histórica, é fácil perceber que a sociedade brasileira ainda se comporta de forma preconceituosa e machista, não apenas com o público LGBT+, como também com todas as demais minorias sociais (mulheres e negros, por exemplo). Convenhamos, que em pleno século XXI essas minorias já não são tão minorias assim e se organizam, posicionam, de forma a exigir que suas vozes sejam ouvidas e suas necessidades atendidas, principalmente por meio das redes sociais, por meio de seu consumo ativista.

 

Acompanhe o texto, a seguir, e compreenda como sua empresa pode aprimorar a construção das personas do seu negócio, adotando uma postura mais ética e humanizada, além de melhorar a comunicação dos seus reais valores institucionais e consequentemente agregar maior valor aos seus serviços e/ou produtos. Apresentamos um recorte do universo LGBT+, mas esse posicionamento ético pode ser expandido para qualquer outra causa que envolva a defesa dos direitos humanos. Vamos lá?

 

 

Ética e empatia: Conheça a Declaração dos Direitos Humanos

Em 1945, já com o final da Segunda Guerra Mundial, representantes de cinquenta países do mundo (incluindo o Brasil) se reuniram nos EUA para formar um corpo internacional, a organização das Nações Unidas, com o intuito de manter a paz e evitar futuras guerras. Os danos gerados pelas duas guerras mundiais foram enormes e incalculáveis (muitos mortos, sobreviventes com sequelas gravíssimas, cidades e países inteiros destruídos), de forma que a principal preocupação naquele momento era cuidar para que as gerações futuras não repetissem os mesmo erros que desencadearam as guerras.

 

Em 1948, Eleanor Roosevelt (viúva do presidente norte americano Franklin Roosevelt), comandando a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, elaborou a Declaração Universal, com trinta artigos, os quais tratavam dos direitos inalienáveis de todo ser humano com o objetivo de garantir a paz, a justiça e a liberdade mundiais. Assim surgiu a Declaração dos Direitos Humanos, com forte influência dos documentos gerados pela independência dos Estados Unidos (1776) e pela Revolução Francesa (1789).

 

Dentre os vários direitos apresentados nessa declaração, constam os seguintes: o direito de nenhum ser humano ser escravizado; de ser tratado com igualdade perante a lei; livre expressão política e religiosa; direito ao lazer, educação e cultura; liberdade de pensamento; direito ao trabalho livre e remunerado. Como se pode perceber, ainda nos dias atuais a garantia dos direitos humanos é um desafio enorme e o movimento LGBT+ luta por essas garantias.

 

É interessante perceber que no Brasil, de janeiro a maio de 2019, foram registradas 141 mortes de pessoas LGBT+, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia (GGB). Para conter esse extermínio é necessário que a sociedade brasileira mude seus paradigmas culturais e o mundo empresarial pode gerar impactos positivos ao incorporar os direitos humanos em seus valores institucionais.

 

lgbt marketing - Marketing LGBT+ : Abrace a diversidade

 

Movimento LGBT+: Breve análise histórica

O termo LGBT+ é o mais utilizado e significa Lésbicas, Gays, Travestis/Transexuais/Transgêneros e o sinal de mais indica que ficam incluídas as demais denominações de orientação sexual ou identidade de gênero como: queer, questionado, intersex, assexual, aliado e pansexual. O termo LGBT+ foi aprovado no Brasil em 2008, em uma conferência nacional que objetivava debater os direitos humanos e políticos das pessoas LGBT+.

 

É perceptível que o sujeito político do movimento LGBT+ é extremamente diversificado em relação às questões de gênero e sexualidade. No Brasil, esse movimento ganha contornos em 1970, a partir da mobilização de homens homossexuais. Em seguida, as lésbicas se unem ao movimento, lutando pela validação de suas necessidades específicas. Em 1990 é o momento da adesão dos travestis e transexuais e em 2000 são os bissexuais que passam a reforçar a pauta de lutas do movimento.

 

Considerando a legislação brasileira, após o período colonial não há registros de leis que proíbam, penalizem o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo ou até mesmo a prática do sexo anal. Entretanto, é preciso estarmos atentos ao fato de que durante o século XX as pessoas que apresentavam práticas homossexuais foram objeto de estudo da medicina, a qual procurava explicar e classificar esse tipo de comportamento. Os criminologistas também propunham relações entre a homossexualidade e a prática de delitos criminosos, muitas das vezes contando com o apoio de laudos médicos (prática médica e policial de cunho positivista – aceitação do conhecimento científico como único conhecimento verdadeiro). Dessa forma, ficou socialmente claro que a sexualidade do indivíduo poderia ser utilizada como um forte agravante legal.

 

Diante desse contexto sombrio, os homossexuais começaram a criar laços de identidade e processos de maior sociabilidade para enfrentar os desafios impostos pelas restrições legais e médicas às práticas homossexuais. Em 1940, em Amsterdam (capital da Holanda), é criado o COC (Center for Culture and Recreation) com o objetivo de desconstruir a imagem negativa da homossexualidade. Os organizadores desse centro procuravam, junto à população e autoridades locais, incentivar o conhecimento, a aceitação e reintegração dos homossexuais na sociedade. A partir dessa iniciativa, muitas outras começaram a surgir pelo mundo, promovendo rodas de discussão sobre a homossexualidade, muitas das vezes contanto com palestras de psiquiatras que ajudavam a desconstruir a visão preconceituosa sobre esse tema.

 

O grande marco do movimento LGBT+ ocorreu em 28 de junho de 1969, conhecido como a Revolta de Stonewall, em Nova York (EUA). Stonewall era um bar frequentado por homossexuais, os quais eram constantemente abordados pela polícia, de forma truculenta. Nesse dia, 28 de junho, os homossexuais partiram para o confronto aberto com a polícia e esse momento foi internacionalmente consagrado com o Dia do Orgulho Gay. Em 2019, esse marco histórico completa 50 anos!

 

Auntie Vasanthi cover - Marketing LGBT+ : Abrace a diversidade

 

No Brasil, o início da década de 1970 é caracterizado pelo endurecimento da ditadura militar e nesse mesmo contexto, ganham maior visibilidade os movimentos feministas e as primeiras organizações do movimento negro contemporâneo. O movimento homossexual brasileiro desenvolve um importante papel crítico entre duas formas de percepção da sexualidade, sendo estas a forma tradicional e a forma moderna. A forma tradicional encara o sexo de forma hierarquizada, com a presença de um sujeito ativo e outro passivo. A forma moderna encara os parceiros sexuais de forma igualitária e a orientação do desejo sexual é mais relevante para nomeá-los do que noção dos papéis sociais de feminino e masculino.

 

Entre 1970 e 1983, o movimento LGBT+ brasileiro é impulsionado pelo eixo Rio – São Paulo, com o surgimento de coletivos que promoviam encontros nacionais e o questionamento crítico do contexto de repressão, preconceito e abusos policiais, com diversas propostas de mudança social. Em 1983 eclode a epidemia da AIDS e diversos coletivos de São Paulo são dissolvidos, uma vez que o discurso da liberdade sexual perde poder, ocorrendo uma mudança de eixo ativista para Rio – Bahia. Entre 1981 e 1985, o Grupo Gay da Bahia promove uma campanha nacional a favor da despatologização da homossexualidade, com a retirada do homossexualismo do código de doenças do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social).

 

Com o fim da ditadura militar, em 1985, o autoritarismo deixa de ser o principal alvo de combate do movimento homossexual e passa a ser a busca por uma solução efetiva para a epidemia de AIDS. Nesse período também passa a ser adotado o termo orientação sexual, desconstruindo a ideia ultrapassada de opção sexual. Surgem também as discussões sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a inclusão da educação sexual no currículo das escolas brasileiras.

 

Em 1990 surge a importância de identificar e nomear os diversos sujeitos políticos que compõem a luta homossexual e o que culmina com a especificação do termo LGBT+. Atualmente, a presença política e a visibilidade massiva são os principais meios de luta do movimento LGBT+ por uma sociedade mais justa, diversa e igualitária.

 

O Inbound Marketing e o público LGBT+

É necessário que os empreendedores brasileiros lembrem que o Inbound Marketing se diferencia do marketing tradicional justamente pelo fato de fazer parte da conversa (principalmente nas redes sociais e nos diversos meios de comunicação digital), uma vez que busca compreender a fundo as reais necessidades de suas personas e assim capacitar seus potenciais clientes para a realização de escolhas conscientes, adequadas e de forma autônoma.

 

Nesse contexto não cabe estabelecer um posicionamento de marca falso, que não condiz com os reais valores institucionais da sua empresa. Os seus leads, principalmente o público LGBT+, estão atentos aos seus posicionamentos como marca, e a mentira, a falsidade, a manipulação compõem a receita mais rápida para o fracasso do seu negócio. Esteja sempre atento!

 

A luta do movimento LGBT+, sendo um lugar de fala da sua marca, deve estar presente na composição de suas personas, gerando ações de marketing que agreguem valor para esse público consumidor específico. Conte com o auxílio da Like Melon para estabelecer um posicionamento de sucesso para o seu negócio!

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